Projeto busca visibilizar o legado de mulheres em carreiras tecnológicas e administrativas

A través del proyecto de innovación docente, el Departamento de Tecnologías Industriales de la Facultad Tecnológica impulsa una reflexión sobre la importancia histórica y actual del papel de las mujeres en la teoría administrativa, como parte del compromiso con la equidad, la inclusión y la formación integral. 

Uma pessoa de óculos trabalha concentrada em um computador. No reflexo de seus óculos se observa um gráfico.

O informe intitulado “O Papel da Mulher no Desenvolvimento do Pensamento e Teoria Administrativa”, foi desenvolvido no contexto da disciplina de Administração, ministrada pelo Patricio Ayala, e elaborado no âmbito do Projeto de Inovação Docente: “Plataforma de orientação virtual para o ingresso de mulheres na carreira de Tecnólogo em Telecomunicações: Uma solução inclusiva e colaborativa para apoiar o desenvolvimento profissional e a equidade de gênero na indústria tecnológica”, resgata os aportes históricos de pensadoras como Mary Parker Follet e Lillian Gilbreth, cujas ideias pioneiras estabeleceram as bases de uma administração mais humana, colaborativa e participativa.

“Historicamente, a teoria administrativa tem se ensinado desde uma visão masculina, deixando fora olhares fundamentais para o desenvolvimento do pensamento organizacional. Essa pesquisa busca visibilizar o legado de mulheres que transformaram a maneira de liderar, de gerenciar e de construir comunidade dentro das organizações”, indica o documento a cargo do Departamento de Tecnologias Industriais da Faculdade Tecnológica da Usach.

O texto destaca, por exemplo, que Mary Parker Follett introduziu conceitos como a liderança compartilhada, a resolução construtiva de conflitos e a autoridade funcional, todos vigentes nas escolas de administração contemporâneas. Por sua parte, Lillian Gilbreth incorporou a psicologia ao estudo da eficiência e do bem-estar laboral, aportando uma visão sistêmica durante uma época dominada pelo foco mecanicista. Ambas as pensadoras foram ignoradas durante décadas pelos manuais clássicos, apesar de que suas teorias estabeleceram as bases da administração moderna.          

Neste contexto, é essencial incorporar seus aportes à formação de estudantes em carreiras tecnológicas e administrativas, para construir um conhecimento mais inclusivo, diverso e representativo. Além disso, ressalta-se a importância de ampliar a visão para outras figuras femininas que desde o ativismo, a gestão comunitária e o âmbito acadêmico têm contribuído para repensar o papel da liderança, o poder e a organização.        

O informe também contextualiza o problema com valores atuais. Segundo o Global Gender Gap Report do Fórum Econômico Mundial (2023), só 32,2% dos cargos diretivos no mundo são ocupados por mulheres. Esse número é reduzido drasticamente em âmbitos como a indústria tecnológica ou a engenharia, onde a lacuna de gênero é inclusive mais profunda. Na América Latina, os informes da Cepal indicam que a participação de mulheres em cargos gerenciais apenas atinge cerca de 30%, com importantes diferenças segundo o país e o setor produtivo.  

Em adição, uma revisão realizada a 10 textos universitários de teoria administrativa mostra que menos de 5% dos autores citados são mulheres, o que evidencia um desfasamento na representação acadêmica feminina. Essa invisibilização não só perpetua estereótipos, mas também limita o horizonte formativo dos e das estudantes, reforçando estruturas hierárquicas que já têm sido questionadas pelas novas tendências em liderança organizacional.      

“Esse tipo de pesquisas permitem repensar a história, corrigir omissões e construir referentes mais diversos para as novas gerações. A inclusão da perspectiva de gênero na administração não é só uma questão de justiça, senão de melhoramento organizacional e sutentabilidade”, indica o informe.

Desde o Departamento de Tecnologias Industriais enfatizaram que o objetivo não é substituir uma história por outra, senão enriquecer a compreensão do passado e do presente com todas as vozes que têm contribuído para criar a disciplina. Por isso, essa iniciativa se articula também com outras ações institucionais, como orientações para mulheres em carreiras tecnológicas, seminários interdisciplinares e a incorporação de conteúdo com perspectiva de gênero nas grades curriculares.

Finalmente, levantou-se a necessidade de continuar pesquisando e documentando os aportes de mulheres na administração, assim como fomentar a participação ativa de estudantes e docentes em projetos que possam visibilizar esses temas. O caminho para um futuro mais equitativo requer vontade institucional, transformação cultural e o compromisso daqueles que são parte do ecossistema universitário e profissional.

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