A obesidade infantil registrou um aumento alarmante no Chile. De acordo com o Mapa Nutricional 2024 da Junta Nacional de Auxílio Escolar e Bolsas de Estudo (Junaeb), 27% das e dos escolares avaliados apresentam sobrepeso e 23,9% obesidade.
Esse diagnóstico evidencia a necessidade urgente de promover mudanças nos hábitos de vida desde a infância. Com esse objetivo, as universidades UBB, UDD e Usach lideram a pesquisa "Desenvolvimento e validação de uma Plataforma Educacional Gamificada e Inteligente (PEGI) para o ensino de alimentação e atividade física saudáveis a estudantes do SLEP".
Em nossa instituição, a iniciativa é executada por uma equipe de pesquisa liderada pelos acadêmicos da Faculdade de Ciências Médicas, Tito Pizarro, médico pediatra e mestre em Nutrição, e Fernando Concha, professor de Educação Física e mestre em Educação em Saúde e Bem-Estar Humano. O objetivo principal é aumentar o conhecimento e os comportamentos saudáveis relacionados à alimentação saudável e à atividade física em estudantes do ensino fundamental, por meio de uma plataforma educacional virtual que combina tecnologia e aprendizagem interativa.
IA e gameficação
O acadêmico Fernando Concha explica que a ideia surgiu da execução de dois projetos Fondef que impulsionaram a intervenção "Escolas + Saudáveis" para promover hábitos saudáveis em seis estabelecimentos educacionais do SLEP Gabriela Mistral, na Região Metropolitana, que gerou, entre seus produtos, um site e materiais educacionais.
Após essa experiência, "percebemos que professores, estudantes e o ambiente escolar precisavam de ferramentas tecnológicas que tornassem o processo de aprendizagem sobre alimentação e atividade física mais simples e motivador", indica Fernando Concha.
Assim surge a PEGI, uma plataforma virtual que integra inteligência artificial e gameficação para ensinar de forma mais divertida e lúdica conteúdos relacionados à vida saudável. "Usaremos materiais educacionais validados pela comunidade escolar em projetos anteriores, que serão transformados em jogos e desafios digitais adaptados ao currículo escolar", destaca o acadêmico Tito Pizarro.
Espera-se que essa ferramenta possa ser ampliada para o sistema educacional e fortalecer estilos de vida mais ativos, beneficiando inicialmente cerca de 230 estudantes de duas escolas públicas em ambas as regiões, além de professores, pais, famílias e comerciantes que vendem seus produtos nas escolas.
Modelo na educação
O projeto terá duração de 24 meses, durante os quais serão abordadas diferentes tarefas. A primeira será focada no desenvolvimento da plataforma e na integração de recursos interativos baseados nos materiais educacionais, para, em seguida, validar sua eficácia nas escolas selecionadas, avaliando como influencia os hábitos alimentares e a atividade física das crianças e do seu ambiente.
"Queremos observar como as rotinas diárias se transformam: se as e os estudantes aumentam o consumo de água, se movimentam mais, praticam esportes, atividades físicas ou integram o movimento nos recreios e nas aulas. Esse é o nosso desafio e, por isso, trabalhamos estreitamente com os SLEP e as comunidades educacionais, considerando que as regiões envolvidas apresentam realidades geográficas e sociais muito diversas", afirma Tito Pizarro.
Cada instituição contribuirá para o desenvolvimento da PEGI. A UBB será responsável pelo design tecnológico, enquanto a Usach e a UDD integrarão os conteúdos educacionais validados na plataforma. Por sua vez, a Junaeb, com a equipe de Escolas Saudáveis para a Aprendizagem, facilitará a projeção e divulgação desse modelo em nível nacional.
"Estamos apostando em um modelo de aprendizagem baseado em jogos e na prática, onde o conhecimento é adquirido de forma participativa e ativa, agora por meio do uso responsável e divertido de plataformas digitais. As escolas contam com laboratórios e salas tecnológicas que permitirão aproveitar ao máximo esse recurso", comenta Tito Pizarro.
Entre os resultados, busca-se um aumento sustentado no conhecimento e na prática de comportamentos saudáveis, juntamente com uma alta avaliação da plataforma por parte de professores e estudantes. "No futuro, esperamos que este modelo se consolide como referência nacional na promoção do bem-estar escolar e na prevenção da obesidade infantil", conclui Fernando Concha.
